O século XXI trouxe inúmeras inovações que tornaram nossas vidas mais práticas e nossas decisões mais imediatas. Creio que se você for um amante da tecnologia como eu certamente teria dificuldades em passar mais de uma semana longe do computador e do celular, num modo de vida “off-line”.
O boom da Web neste século facilitou nossas comunicações, nosso aprendizado e nosso crescimento como indivíduos nesta sociedade. Infelizmente, vejo que isto está inserindo em nossas mentes, de uma forma imperceptível e imensurável, pouco a pouco, pensamentos de que tudo o que desejamos deva ser concretizado da forma que queremos, de maneira imediata e sem pensar em quaisquer tipos de objetivos futuros ou planejamentos de como e o que fazer para atingir este objetivo.
Mesmo como profissional da área de tecnologia, vejo que essa nossa “sociedade do imediato”, aos poucos, está fazendo com que percamos valores preciosos e tão praticados por sociedades milenares, como as orientais. Num mundo onde o “ter” ofusca o “ser”, o certo acaba se confundindo com o errado e o que antes sempre teve de ser planejado passa a ter de ser imediato. Aos poucos, nós vamos nos auto-destruindo.
Vejo ainda que o mais preocupante nesse ponto esteja relacionado aos momentos onde cada pessoa é obrigada a enfrentar um problema. Essa necessidade embutida em nossas mentes pela solução imediata de tudo o que se deseja faz com que coloquemos nossos focos de uma forma quase cega no problema.
Ignoramos tudo o que planejamos, nossos objetivos futuros, e passamos a nos preocupar apenas com a solução à nossa maneira do problema, e, uma vez que diariamente enfrentamos problemas, os objetivos maiores são completamente ofuscados e nosso crescimento se torna cada vez mais lento até chegar ao momento da estagnação, onde passamos a focar apenas nos problemas e nossos objetivos maiores jamais voltam à nossa mente.
Certo jovem há algum tempo atrás passou por algo semelhante ao que descrevi acima. Ele possuia um objetivo muito maior do que os problemas momentâneos que ele estava enfrentando. O pior, no caso dele, é que existia um grande problema pelo qual ele sabia que deveria passar para atingir este objetivo. Esse problema lhe causaria um sofrimento jamais imaginável por qualquer ser humano e, caso ele quisesse, poderia abandonar esse objetivo a qualquer momento e não precisar passar por este sofrimento terrível.
Este jovem sabia que o objetivo era maior que seus problemas e por toda a sua vida nunca colocou seu foco em seus problemas. Este sofrimento, que resultou em sua morte prematura, nunca foi colocado à frente do objetivo maior por este rapaz. Por toda a sua vida ele sempre soube que para se cumprir este objetivo seria nessário sofrer e morrer daquela forma.
Ainda que a sociedade exigisse dele uma decisão rápida em favor próprio, em nenhum momento pensou em seus problemas. Se por um instante de sua vida ele tivesse focado em seus problemas, sua vida certamente seria poupada, porém, o objetivo maior jamais seria atingido.
O que eu gostaria que tivéssemos sempre em nossa mente é que nosso objetivo de vida é maior do que qualquer desafio que tenhamos e não podemos levar em consideração o apelo da sociedade pelo ter, pelo desejo imediato, pelo foco no problema. Este tipo de sociedade pouco se importa com o futuro de sua vida e com o futuro da própria raça humana. Este tipo de ação deveria ser banida de nosso meio, porém isto só será possível se partir de cada pessoa. Só assim nosso foco passará a ser o objetivo, e não o problema, e certamente formaremos uma sociedade digna e iremos marcar nossa geração.
No seu leito de morte, este jovem usou seu último fôlego de vida para se compadecer de um homem que estava ao seu lado e também em seus últimos momentos, e passar a este a frase que ele esperou por toda a sua vida e foi o primeiro resultado do objetivo maior do jovem sendo cumprido:
Então ele disse: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino”.
Jesus lhe respondeu: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso”.
Lucas 23:42-43
Por Edgar Eler.
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